No 1º Domingo do Advento (27/11), se inicia o novo ano litúrgico na Igreja Católica Romana. Saímos do “Ano C”, cujo Evangelho principal mais lido foi o de Lucas e entramos no “Ano A”, cujo evangelista será Mateus. No “Ano B” se lê o Evangelho de Marcos. O Evangelho de João é lido sempre nas ocasiões especiais de festas e solenidades. Essa forma de organizar o calendário litúrgico visa a celebração de toda a vida de Cristo.
Para preparar a chegada do nosso Salvador, o qual virá no Natal, a Igreja oferece aos fiéis um tempo de quatro semanas propício à vigilância, à penitência, à conversão e à renovação da esperança. Esse tempo chama-se “Advento”. A palavra tem origem no latim e significa “chegada” ou “vinda”.
Assim sendo, refletiremos sobre alguns aspectos semelhantes dos textos de Is 5,1-5 (cf. Mq 4,1-3) e de Mt 24,37-44, os quais nos convidam a entrar nesse espírito de preparação para recebermos bem o nosso Salvador.
O profeta Isaías descreve sua visão futura a respeito de Judá e de Jerusalém: as nações serão atraídas para o monte Sion, a fim de escutarem e seguirem a Palavra de Deus. Consequentemente, as pessoas abandonarão seus maus caminhos e transformarão suas armas em utensílios para ararem a terra e torná-la fecunda. Haverá paz entre os povos. Essas imagens mostram que o presente ainda era de injustiças, guerras, opressões e dificuldades cultuais. Mas o futuro se constrói agora: “Vinde, andemos na luz do Senhor” (Is 5,5).
Por sua vez, através de uma linguagem apocalíptica (revelação do escondido), Mateus se dirige à sua comunidade, num período conturbado por sofrimentos, desespero, perseguições e tenta renovar sua esperança, exortando-a à vigilância, pois ninguém sabe o dia nem a hora da chegada do Senhor. Tal vigilância deverá ser ativa, ou seja, todos deverão se empenhar na construção do Reinado de Cristo já, aqui e agora, através da prática da justiça, conforme os ensinamentos de Jesus.
Disse nosso fundador, Pe. Teodoro: “Já que não conhecemos o dia nem a hora, vivamos como os primeiros cristãos, aguardando piedosamente o advento de Jesus Cristo, na feliz expectativa de contemplar a sua glória” (Theodoro Ratisbonne. Migalhas Evangélicas, p. 13). Para tanto, contemos com a intercessão e a companhia da Virgem da Medalha Milagrosa, cuja festa celebramos no último domingo.